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domingo, 15 de maio de 2016

DOROTHY MAGNO E A CHEGADA EM HOGWARTS


Sobre Dorothy Fletcher Magno: é uma jovem de 1,55m de altura, 46kg, pele clara e sardenta, cabelos castanhos, nariz arrebitado, mandíbula angulosa, lábios rosados e pequenos olhos brilhantes e amendoados. Pelo lado da mãe (Magno), tem descendência grega e alemã; pelo lado do pai (Fletcher), tem descendência britânica. Sua fala é suave e arrastada, e se torna trêmula quando ela está incomodada com alguma coisa.
Sobre Anastasia Phoenix: conta com 37 anos de idade, 1,75m de altura e corpo esguio. É meio-irmã mais velha de Rachel (prima de Dorothy) e, assim como a irmã, tem a pele pálida e rosada, os cabelos negros,  o nariz é reto e os lábios  são vermelhos e relativamente carnudos. No entanto, diferencia-se de Rach por ter os olhos azuis (e não verdes), expressões alegres e voz naturalmente ressoante. Tem descendência russa por parte da mãe, e americana por parte do pai (Phoenix). 



Uma consideração sobre a minha família, para que vocês possam compreender o meu primeiro dia em Hogwarts: boa parte das mulheres Magno são bruxas de grande sucesso. Eu olho para um lado e vejo uma renomada doutora em Poções; olho para o outro e vejo uma exímia legilimente; olho para as prateleiras do meu quarto e vejo uma pilha de livros publicados pelas minhas parentes.
Não é difícil concluir que, quando entrei em Hogwarts, a pressão em cima de mim era bem grande. Eu já era a filha de pais desertores inconsequentes. Para piorar, eu era desajeitada, baixinha e tinha a personalidade (encrenqueira) constantemente questionada por minhas primas e tias.
Assim, quando me aconcheguei em uma das cabines do Expresso de Hogwarts, estava com a cabeça a milhão. Um turbilhão de planos mirabolantes ecoavam no espaço semi-vazio entre minhas orelhas, tais como: Posso manipular o chapéu seletor pra ele me botar na Corvinal... Ou posso aprender um feitiço de manipulação e fazer alguém realizar minhas tarefas... Eram muitas as ideias geniais, mas a que prevaleceu surgiu de um artigo do jornal bruxo local.
Passei boa parte da viagem lendo a edição especial do Profeta Diário, em busca de inspiração. Havia uma matéria extensa sobre a família Potter, com destaque para Harry. Algumas frases me marcaram mais que outras. A primeira delas foi:

(...) Assim que chegou em Hogwarts, Harry chamou a atenção de todos com sua peculiar cicatriz em forma de raio (...)
Eis que uma luz se acendeu nas profundezas de minha mente obscura... Afinal não há como passar batido quando se tem uma cicatriz gigante no meio da cara (ao menos era o que eu esperava).



cerimônia de abertura foi repleta de surpresas. A começar pelo tropeção que levei quando me dirigia ao chapéu seletor. Precisei dobrar a passada seguinte para evitar desmoronar diante de todos:
— SONSERINA! — Bradou o chapéu, ao que esbravejei baixinho.
Contrariada, caminhei pisando duro até a mesa da Sonserina, onde me acomodei entre dois desconhecidos. “Ótimo, caí na casa mais mal-falada.” Lamentei mentalmente, aguardando o banquete.
Meu humor melhorou quando o magnífico banquete cerimonial foi conjurado diante dos meus olhos. Além disso, descobri que Anastasia, a meio-irmã (pelo lado dos Phoenix) de minha prima Rachel, estava sentada à mesa dos professores. Ela era a mais jovem e mais bela dos docentes. Tinha vários traços faciais semelhantes aos de Rachel, mas a simpatia e a postura acolhedora acabavam ofuscando tais similaridades. Desnecessário dizer que, desde o dia em que Rachel a apresentara para os Magno, desenvolvi um amor platônico pela mulher.
— Oh, oi! — Fui forçada a acordar de meus devaneios ao perceber que, depois de encarar 'Ana' por tanto tempo, ela acabara percebendo e acenando para mim. 



Uma vez encerrada a cerimônia de abertura, todos os alunos se dirigiram aos seus respectivos salões comunais. O meu ficava nas escuras e úmidas masmorras do castelo. Tomei o cuidado de memorizar a trajetória até o dormitório e, quando parei ao lado de minha cama, deslizei para baixo das cobertas sem me dar o trabalho de colocar o pijama. As outras meninas estavam tão ouriçadas que sequer perceberam.
Levou algum tempo até que todos caíssem no sono. Não fosse um dos monitores ter batido na porta e protestado contra as conversas intensas, creio que teríamos varado a noite. Para ser sincera, eu até que estava gostando do clima descontraído.
Ocorre que eventualmente as meninas adormeceram ao meu redor. Naquele silêncio, quebrado apenas por suspiros e farfalhar de pijamas contra lençóis, ficou mais difícil ignorar minha grande preocupação: o medo de passar em branco.
Assim, tão logo terminei de juntar coragem para sair da cama, abandonei o salão comunal sorrateiramente. Trazia comigo somente a varinha mágica e uma ideia, a mesma que tivera ainda mais cedo, enquanto lia o Profeta Diário.
Cruzei os corredores do subsolo, galguei os degraus de pedra rumo ao saguão e de repente senti as pernas amolecerem. Pálida e gelada de medo, escutei duas vozes retumbantes vindas de cima. Lancei a cabeça para trás e  avistei uma dupla de fantasmas tagarelas flutuando tranquilamente.  Felizmente eles estavam tão distraídos que nem perceberam a minha presença nanica. Mesmo assim eu recuei até a penumbra do subsolo, onde aguardei alguns instantes.
Meus joelhos ainda bambeavam quando me forcei a seguir em frente. Cruzei o saguão depressa e subi a grande escadaria de mármore que ficava de frente para a entrada do castelo. Avançando aos tropeços, cheguei à primeira escada flutuante. Mal pisei em seu primeiro degrau, ela começou a se mover. Agarrei o corrimão com força e esperei pelo momento oportuno para saltar.
Depois de andar (ou levitar) feito barata tonta de uma escada à outra, finalmente cheguei ao corredor desejado. Ficava no terceiro andar e recebia somente a fraca iluminação lunar. Era largo e ladeado por altas pilastras de pedra, que reforçavam o quão pequena e vulnerável eu era. Engoli em seco e tentei ignorar o medo, seguindo em frente. 



"Aqui estou." Respirei aliviada ao girar a maçaneta gelada e perceber que a porta estava destrancada. Adentrei a biblioteca e fechei a porta atrás de mim. Agora estava sozinha e mergulhada numa escuridão densa e aparentemente intransponível.
— Lumos. — A pequena esfera de luz se formou e desapareceu depressa. — Lumos. — Tentei de novo, identificando o cenário ao meu redor. 
"Estantes ao fundo. LUMOS. Balcão da bibliotecária. LUMOS. Mesas de estudo. LUMOS. OH MEU DEUS."
Comecei a guinchar feito um leitão, mas fui interrompida pela mão pequena que abafava minha voz. 
— Ei, o que temos aqui? — O garoto devia ter uns quatro anos a mais que eu.
Ele tinha um sorriso vitorioso quando me agarrou pelos ombros e me levantou do chão. Contudo, o triunfo desapareceu de seu semblante assim que ele percebeu algo em meu uniforme.
— Droga, você também é da sonserina. — Me soltou, revoltado.
Ainda me recuperando do sobressalto, apenas o encarei com os olhos castanhos arregalados.
— O que é que está procurando aqui? — Voltou a esboçar seu sorriso maldoso.
— Preciso de um livro de feitiços usados em duelos. — Expliquei com a voz fraca e trêmula.
O garoto acenou a cabeça num gesto de aprovação. Após me entregar um lampião, me explicou onde estavam os livros de feitiços avançados e recomendou que eu fosse rápida, pois um flagra custaria pontos para a sonserina. 
Assenti e me afastei com o lampião em mãos. Chegando no setor dos livros de feitiços, apontei o lampião em todas as direções, mas nenhum dos títulos parecia ter nexo com o que eu precisava. Já estava começando a sentir um cansaço nos braços e nos olhos. Felizmente, porém, deixei o olhar recair sobre um livro grosso de capa desgastada e folhas amareladas. 
— Accio. — Sussurrei, já que o tal volume estava na prateleira mais alta da estante. — Accio livro. — Repeti, ainda sem sucesso. — ACCIO! — Desta vez pode-se dizer que logrei sucesso.
Fui acometida por uma chuva de livros pesados, poeirentos e com cheiro de naftalina. Alguns deles me atingiram na cabeça e nos ombros, e todos colidiram estrondosamente contra o chão. Sem perder tempo, catei o volume de que precisava e percorri o índice.
"Nada de feitiço para cicatriz... Vou ter que fazer um corte de verdade mesmo... Oldschool!" Pensei com meus botões.
Foi neste instante que, no auge da inteligência de uma menina de onze anos, resolvi que seria uma boa ideia lançar um Sectumsempra... Em mim mesma! Limpei a garganta, reli as instruções, ensaiei o gesto e a pronúncia, imaginei a forma que daria à cicatriz e apontei a varinha para o meu rosto.
— Sectumsempra. — Resmunguei titubeante. 
— MAS O QUE ESTÁ ACONTECENDO? — O zelador me interrompeu no exato momento em que terminei a conjuração.
Acontece que, por causa do susto que levei, meu punho acabou tremendo e alterando a trajetória do feitiço. A centelha mágica, que deveria ter acertado minha testa, atingiu o zelador em cheio. Por sorte a minha hesitação, somada à falta de experiência, refletiu na intensidade do feitiço, cujo efeito foi reduzido a alguns arranhões na lateral do rosto do homem. Obviamente que isto não impediu o velho  de soltar um grito furioso e me agarrar pelas orelhas. 



incidente não só me colocou em apuros, como também contribuiu para que os outros estudantes da sonserina fossem pegos. Cada um deles me fuzilava enquanto percorríamos um dos corredores do primeiro andar. Eles foram chamados primeiro e entraram, com visível relutância, no escritório da diretora da Grifinória. Aparentemente ela era a funcionária encarregada de supervisionar a escola naquela noite.
Aguardei ao lado do zelador. Ele ainda apertava meu braço entre os dedos, alheio aos meus resmungos.
— Tô ficando dormente. — Reclamei.
Ele abriu a boca pronto para disparar uma série de insultos, mas foi interrompido pelo rangido da porta a nossa frente. Um por um, os sonserinos deixaram o escritório da diretora da grifinória e me direcionaram olhares mortíferos. 
— Boa noite, meninos. — Tentei fazer graça, mas ninguém pareceu disposto a sorrir. 
— Sua vez. — O zelador foi me empurrando, fazendo com que eu entrasse aos saltos no tal escritório.
Pisquei duas vezes e encarei a mulher de braços cruzados a minha frente.
— Dot, o que diabos você foi fazer logo no primeiro dia de aula? — Anastasia trovejou, puxando a cadeira para que eu pudesse sentar.
Atordoada, não consegui decidir se estava aliviada ou constrangida. Sentei-me na cadeira e a encarei com meus olhos redondos e cheios de culpa.
— Você deixou o dormitório, visitou uma seção da biblioteca que não é apropriada para primeiranistas, derrubou e danificou vários livros, performou um feitiço que sequer está no currículo  escolar, e feriu um funcionário. — Ela continuou. A dureza em sua voz fez com que eu lembrasse de Rachel. 
Contudo, ao contrário de Ana, Rachel teria reagido com um misto de desdém e diversão sádica. 
— Se não fosse eu a encarregada, você poderia ter sido expulsa. — Ao perceber meu semblante  carregado de culpa e medo, a professora de astronomia foi suavizando a voz.
Após algum tempo lutando contra o constrangimento, expliquei o porquê de minha aventura, lamentando o fato de o zelador ter frustrado meus planos. Assim que terminei de esclarecer o ocorrido, ergui os olhos e percebi um misto de pena e repreensão no rosto da Srta. Phoenix.
— Não precisa me olhar assim. — Rosnei, fazendo-a soltar uma gargalhada ressoante.
— Eu teria duvidado dessa explicação em outras circunstâncias, mas vindo de uma Magno não é nada improvável. — Então o sorriso desapareceu e ela retomou a seriedade. — Ainda assim, você e a sua casa vão pagar pela violação. Fique longe de confusões e talvez eu consiga com que a penalidade não seja tão pesada quanto deveria. 



Chegando no dormitório, fui recepcionada com um misto de indignação e fascinação. Contei como acertei o zelador com um feitiço proibido, adicionando detalhes sanguinolentos e exagerados. Isto por si só desencorajou meus colegas a me incomodarem por causa da perda de pontos. Fui dormir sem me preocupar com qualquer espécie de ameaça.
No outro dia, acordei com um calombo na cabeça e uma série de hematomas decorrentes da 'tempestade de livros'. Não fosse isso suficientemente ruim, fui caçoada por alunos de outras casas e descobri que minha casa perdera uma quantidade considerável de pontos.
Para fechar o ciclo da desgraça, Anastasia veio me buscar, logo na madrugada seguinte, em meu dormitório. Com um pouco de pesar tendencioso, ela me conduziu até o corujal e informou que meu castigo seria passar a noite limpando cocô de pássaro (e levando bicadas esporádicas de corujas mal humoradas). 





domingo, 31 de janeiro de 2016

DOROTHY MAGNO E A POÇÃO DA FERTILIDADE


"Só mais um ano e estarei em Hogwarts." Dorothy Magno comemorou mentalmente enquanto encarava as dez velinhas fumegantes no topo do bolo de morango. Sua prima Rose empunhou a varinha e, após meia dúzia de floreios, as velas haviam desaparecido e o bolo restava perfeitamente fatiado. 
— O primeiro pedaço vai para a aniversariante. — Rose sorriu e levitou uma fatia, conduzindo-a ao pratinho descartável. 
Rose era, de longe, a prima mais doce de Dot. Talvez seu trabalho como medibruxa a tenha afastado um pouco da dureza  tão característica dos Magno. 
 — Um pedaço para minha querida irmã, Rachel. — Rach curvou os lábios num sorriso anêmico e estendeu o prato. 
Então Rose saiu a andar pela mansão Magno, distribuindo fatias de bolo para os muitos primos e tios de Dorothy. Já a aniversariante permaneceu sentada no carpete da sala, diante da mesinha de centro. Forrou as bochechas sardentas com bolo e ainda o mastigava quando lhe ocorreu: "Tenho dez anos... Já sou praticamente madura! Hora de começar a obter minhas respostas."  
— Rachel. — Dorothy começou a falar com a boca cheia e a voz abafada. 
— Uhm? — A prima encarou-lhe com os tristonhos olhos cor-de-azeitona. 
— Tá na hora de vocês pararem de me enrolar. Quero que me contem como eu nasci. — Dot pontuou a frase dando um ruidoso gole no chá gelado. 
 Uma ruga surgiu entre as sobrancelhas de Rachel, cujo semblante tinha, ao mesmo tempo, traços de irritação e divertimento. 
— Pois bem. — Deu uma garfada no bolo e o saboreou demoradamente. Precisava ganhar tempo. 
— Sim? — Arquejou Dorothy, esfregando o guardanapo no rosto com um vigor desnecessário. 
— Existe esta poção... Chama-se poção da fertilidade. É uma mistura que contem raspa de chifre de unicórnio, uma gota de sangue de cada pai, um pedaço de guelricho para que o bebê consiga respirar na barriga da mãe, um pedaço de rabo de lagartixa e, se você quiser que seu filho seja bem apessoado, uma mecha de cabelo de veela. — Terminou de explicar solenemente. 
No momento em que Rose voltou a se aproximar, Dorothy parecia muito concentrada em anotar algo e fazer contas nos dedos. Tinha um plano e aquela receita certamente a ajudaria a executá-lo. 

 ✤ 

Era uma segunda-feira chuvosa e Dorothy estava sentada aos fundos da classe trouxa de matemática. Ela fingia tomar nota da matéria, mas, na verdade, estava rabiscando caricaturas bastante perturbadoras. Não era a primeira vez que fazia isso. No ano anterior, tivera um de seus "projetos artísticos" apanhado pela professora, que reagiu de forma extremamente histérica - ao menos na percepção de Magno. Dot, por sua vez, nada fez além de estender um de seus olhares presunçosos. Se achava melhor que todas as crianças trouxas... Todas, exceto Skylar. 
— DOROTHY! — A voz estridente da Sra. Prescott espetou-lhe os tímpanos. 
— O que? — A menina resmungou com sua voz arrastada e cheia de má-vontade.
Então a aluna desviou o olhar do desenho e deu de cara com a cabeça lustrosa do diretor. Ele jazia parado na porta, segurando a maçaneta com força e batucando o pé contra o chão. "E lá vamos nós de novo." Pensou ela. Ninguém pareceu surpreso quando a menina sardenta desapareceu da sala de aula, escoltada pelo careca carrancudo. 

 ✤ 

 A diretora estava sentada do outro lado da escrivaninha de madeira amêndoa. Por algum motivo, a mulher trouxa nada fez além de suspirar irresignada e encarar Dot. 
— Então, por que estou aqui? — A bruxa indagou pela milésima vez. 
— Apenas esper... 
— Esperar o que? Mas que inferno! — Esmurrou o apoio braçal da cadeira, fazendo a diretora trouxa arreganhar a boca, pronta para dar um sermão. 
— Cheguei. Desculpe-me a demora. — A voz monótona veio das costas de Dorothy. Ao se virar, a jovem Magno confirmou sua suspeita: chamaram logo Rachel para conversar sobre o caso.
— Sem problemas, Srta. Rachel. Então vamos começar. — A diretora empertigou-se na cadeira de couro gasto e limpou a garganta. 
— Creio que seja do seu conhecimento que Dorothy não é lá a aluna mais diligente. — Fez uma pausa, mas como não obteve resistência, continuou. — Porém, apesar da insolência, evitamos tomar grandes providências considerando que, no fim das contas, suas notas e seu aprendizado são relativamente satisfatórios... 
— E o que mudou agora? — Rachel atalhou a conversa. Seus dedos tamborilavam nervosos e os olhos verdes consultavam o relógio de segundo em segundo. 
— O que mudou agora foi que Dorothy deixou de ser simplesmente insolente e passou a ser agressiva! — A voz foi se tornando mais estridente com o progredir da frase. 
"Será que ela ficou brava por causa de mim ou por causa da falta de reação da Rach?" Dot coçou o queixo. 
— Ontem, durante o recreio, Dorothy esmurrou o nariz da Srta. Skylar Smith, tirou um frasco da bolsa e coletou as gotas de sangue que caíram no chão! — As palavras continuaram a fluir da boca enrugada da professora, que agora começava a ficar vermelha. — Quando questionamos o porquê de tal conduta perturbadora, a Srta. Magno disse que precisava de uma amostra para fazer um filho com a pobre Skylar!! — Respirou fundo e aproveitou a pausa para beber um gole d'água. 
Rachel manteve seu constante ar Monalístico (uma mistura de seriedade, tédio e escárnio) durante toda a narrativa: — Você não deveria ter batido na menina, Dot. — Murmurou com a voz invariável. 
— E tentar ter um filho... Com outra menina! — A diretora reforçou, ao que Rachel estreitou os olhos. 
— Não se preocupe. Trocarei Dorothy de escola. — A voz da Magno mais velha assumiu um tom surpreendentemente vigoroso. 
— Bem, eu estava pensando em suspensão. Você não precisa ir tão longe e troc... — A outra mulher gaguejou, só para então ser brutalmente interrompida. 
— Você não entendeu. Sou responsável por minha prima. Não posso permitir que ela seja educada numa instituição preconceituosa que se assombra mais com a homossexualidade do que com um ato de violência. — Rachel Magno se levantou sem mais delongas, sinalizou para que Dorothy fizesse o mesmo e deixou para trás uma trouxa incrédula e esbravejante.


 ✤
 Dot Magno nunca mais foi vista nas dependências de uma escola trouxa.
 Skyler nunca tomou conhecimento das intenções passionais de Dorothy.
 A teoria da Poção da Fertilidade só foi desmentida um ano depois, quando Dorothy voltou a tentar esmurrar um bebe do nariz de uma de suas paixões. Rose deu um sermão tanto em Dot quanto em Rachel.