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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O QUE ACONTECEU EM AGOSTO DE 2016



  1. IMPEACHMENT: Por 14 votos a cinco, comissão recomendou julgamento de Dilma.  Posteriormente o senado votou a favor do Impeachment  (61 x 20).  
    1. Algumas pessoas argumentam ser inconstitucional o processo, pois pressupõe crime de responsabilidade devidamente tipificado, o que não seria o caso;
    2. Alguns comentaristas intenderam ser constitucional e legal o impeachment, porém ilegítimo, já que foi promovido por políticos que estão envolvidos em escândalos muito piores que as pedalas;
    3. Por fim, algumas pessoas entendem que o processo de impeachment teve credibilidade, mas a decisão de não aplicar a pena de inegibilidade de Dilma por 8 anos foi inconstitucional, e há quem diga que isso foi feito apenas para abrir precedente para o iminente julgamento de Eduardo Cunha.
  2. ENTRETENIMENTO, TRETAS E AFINS
    1. Esquadrão Suicida;
    2. Filme da Kéfera;
    3. 100 novos emojis para iOS; 
    4. Pokemon Go no Brasil;
    5. Biel anunciou pausa na carreira para focar nos estudos;
    6. MC Melody tirou vídeos do ar e anunciou o "fim dos falsetes";
    7. Demi Lovato postou vídeo da mãe falando que as pessoas estão todas no Rio pegando Zika virus. Posteriormente a cantora tweetou dizendo que não quis ofender ninguém, e que no vídeo ela estava rindo do sotaque sulista da mãe dela. Brasileiros reclamaram da falta de consideração ao fazer piada com uma doença séria;
    8. TMZ vazou vídeo do Johnny Depp sendo agressivo com a Amber Heard;
    9. William Bonner e Fátima Bernardes se separaram, fato que foi anunciado no twitter de ambos.
  3. OLIMPÍADAS 
    1. Na abertura teve: homenagem a Santos Dumont e americano se doendo em prol dos irmãos Wright; Temer vaiado; Gisele Bündchen desfilando ao som de "Garota de Ipanema"; uma performance reunindo Anitta, Caetano e Gilberto;  porta-bandeira bonitão de Toga arrancando exclamações da plateia;Time de Refugiados ovacionado; e Vanderlei Silva acendendo a pira.
    2. Medalhas brasileiras: Rafaela Silva foi ouro no judô, enquanto Mayra Aguiar  e Rafael Silva conseguiram bronze; Diego Hypólito foi prata e Arthur Nory foi bronze na final de Solo masculino, enquanto Arthur Zanetti foi prata nas argolas (Ginástica Artística); Felipe Wu conseguiu prata no tiro esportivo; Poliana Okimoto alcançou o bronze na maratona aquática; o Brasil ganhou o primeiro ouro no futebol masculino; Alison e Bruno ganharam ouro no vôlei de praia; no vôlei de quadra o Brasil também foi ouro; as meninas da Vela também subiram ao lugar mais alto do pódio; Robson conceição ganhou ouro no boxe; Thiago Braz venceu o salto com vara; Maicon de Andrade Siqueira foi bronze no Taekwondo; e Izaquias ganhou três medalhas na canoagem (duas de prata e uma de bronze)! 
    3. O Brasil terminou em 13º no Quadro de Medalhas.
    4. Celebridades gringas: Michael Phelps (completou 19 medalhas olímpicas, sendo o maior medalhista da história das olimpíadas), Usain Bolt (triplo três: 3 ouros em cada uma das 3 últimas olimpíadas), Simone Biles (4 ouros e 1 bronze), Aliya Mustafina (7 medalhas olímpicas, sendo 4 de Londres e 3 do Rio), Katie Ledecky (4 ouros e 1 prata na natação) e Katinka Hosszú (3 ouros e 1 prata na natação);
    5. Zueiras e tretas olímpicas: após fazer piada com o Zika Virus em sua rede social, Hope Solo (goleira dos EUA) teve que escutar a torcida brasileira gritar "Zika" durante os tiros de meta; a torcida brasileira começou a cantar "Pelados em Santos" ao descobrir que o sobrenome de lutador equatoriana era Mina; Ryan Lochte fez baderna enquanto estava no Rio, mentiu dizendo que foi assaltado e acabou na delegacia; em confronto entre gringos, torcida fez festa para o juiz brasileiro; Usain Bolt dormiu com estudante brasileira, mesmo estando comprometido; vazou vídeo do Arthur Mariano ("Nory") fazendo piadas racistas.









domingo, 21 de fevereiro de 2016

KESHA, ABUSO E JUSTIÇA

Recentemente explodiu na internet a notícia sobre o processo, atualmente em trâmite na Suprema Corte de Nova Iorque, em que a cantora Kesha descreve como foi sexualmente, fisicamente e mentalmente abusada por seu produtor, Dr. Luke. O resultado almejado pela cantora é a dissolução do contrato com a Sony. No entanto, o juiz indeferiu o pedido liminar. Tal decisão causou comoção entre fãs e artistas (Kelly Clarkson, Demi Lovato, Lady Gaga, etc). 
Quero começar essa postagem esclarecendo que não estou a par de todos os detalhes processuais. Ainda assim, me encontro em posição de rebater alguns comentários extremistas que vi online:
1 - "O juiz está sendo injusto e sexista ao exigir provas do abuso"
A presunção de inocência é elemento presente em qualquer Estado democrático. Segundo a presunção de inocência, se 'A' alega algo sobre 'B', 'A' deve provar. Isto evita que o juiz escolha aniquilar com a vida, liberdade e dignidade de alguém, com base em puro achismo ou antipatia. Assim, por exemplo, se eu decidir que quero ferrar com você - pessoa inocente que está lendo isso - eu posso até ir ao órgão competente e começar a falar um monte de mentiras aleatórias a seu respeito: se eu não posso prová-las, isto  de nada adianta.
No caso Kesha, se o juiz realmente não tinha indícios suficientes para conceder a liminar (mais para frente você vai entender o porquê de eu ter grifado este termo), a atitude correta de fato seria indeferí-la, caso contrário estaria abrindo precedente para outras pessoas obterem medidas liminares sem prova que as sustente. Isto é algo bastante grave, em especial considerando que os EUA são país adepto ao Common Law (precedente tem mais força e quantidade que lei).
2 - "Kesha perdeu o processo e foi injustiçada".
AINDA NÃO! Vamos esclarecer uma coisa: liminar é um pedido que você faz no início do processo. É uma forma de proteger um direito ou conquistá-lo com antecedência. Independentemente de a liminar ser concedida, o processo vai continuar. No final, a sentença vai dar um resultado definitivo (apesar de normalmente ser apelável, ao menos no Brasil), que pode confirmar a liminar ou revertê-la. 
No caso Kesha, o juiz pode indeferir a liminar agora, mas lá na frente, quando o processo tiver se desenvolvido e as provas (depoimento de testemunhas que a viram no dia, documentos, filmagens de segurança, perícias ou consultas feitas à época, etc) tiverem sido devidamente produzidas, o resultado final pode ser revertido (e aqui eu estou presumindo que o sistema americano é semelhante ao brasileiro). 
3 - "Essa história toda vai ficar impune... Mais um caso que deu em nada".
O simples fato de o caso Kesha VS Luke ter causado tanta discussão já é prova do contrário. Eu não sei qual será o resultado final, não conheço a Kesha ou o produtor dela, e não vou agir como se pudesse julgar e tirar conclusões quando eu claramente não estou em condições para fazê-lo.
O que sei é que, a partir desse caso, ficou ainda mais escancarada a necessidade de denunciar, contar às pessoas (prova testemunhal),  recorrer às autoridades, e mesmo pagar um médico para fazer uma perícia particular se necessário. No processo, só existem os fatos que podem ser provados. Se queremos combater processualmente condutas nocivas, agressivas, degradantes e machistas, é necessário estar munido das provas. 
Além do mais, certamente o tal produtor não vai sair intocado deste escândalo, independentemente do conteúdo da sentença. A simples repercussão entre fãs, mídias e artistas já são suficientes para arruinar com a carreira e imagem do Dr. Luke. 

CONCLUSÕES.
• A presunção de inocência não está aí para garantir a impunidade; ela está aí para que pessoas como você e eu não tenhamos nossas vidas arruinadas, do dia para noite, por acusações infundadas de pessoas aleatórias e maldosas.  Esta presunção requer que o juiz atue segundo provas, e não com base em achismos. Infelizmente, às vezes, isto pode significar um rigor processual estrito que prejudica quem esteja certo, mas não tem provas para apoiar seus alegações.
• O caso Kesha não está perdido. Eu não sei em que estágio/instância está o processo, mas liminar não é decisão final
• Já temos uma consequencia positiva advinda desta grande discussão: a conscientização veemente da necessidade de tomar iniciativa logo após o abuso, não ter medo de falar, buscar ajuda e orientação, e tomar todas as atitudes necessárias para esclarecer tais injustiças.