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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

5 BANDAS NOVAS: DE VOLTA AOS ANOS 90

Recentemente assisti uma entrevista com o Dave Grohl na qual o entrevistador, um homem aparentemente instruído, cometeu a gafe de dizer que não há bandas dispostas a ocupar o espaço do Foo Fighters e afins. Digo que esta afirmação (que tenho escutado várias vezes durante os últimos anos) é uma gafe pelo seguinte motivo: existe uma quantidade ABSURDA de bandas boas ganhando espaço no underground americano. O simples fato de a mídia mainstream resistir em divulgar estes artistas não justifica negar a existência deles! Se você quer conhecer música nova, tente sair da previsibilidade dos charts e explore essa ferramenta útil chamada INTERNET. 
O engraçado é que na mesma entrevista o Dave Grohl fala sobre como as bandas têm que suar, trabalhar, fazer muitos shows e ganhar espaço. Estamos em 2016  e claramente "trabalhar duro" por si só não é garantia de sucesso no ramo musical (embora otimize as chances). Se fosse, a primeira proposição contestada neste post sequer teria sido feita. 
Enfim, em virtude das muitas vezes em que escutei choradeiras infundadas sobre a escassez de bandas  de qualidade na atualidade, resolvi trazer alguns nomes novatos que me agradaram (total ou parcialmente).
Nesse primeiro post, vou falar sobre grupos com influência grunge, punk e demais gêneros que remetem aos anos 1990.

Bully


A banda Bully é formada por quatro músicos vegetarianos (uma informação totalmente relevante para esta postagem) de Nashville. Vem se destacando na cena local e já tocou no Conan e nos festivais Lollapalooza e Pitchfork Music. Lançou, em 23 de junho de 2015, o primeiro álbum de estúdio: Feels Like. 
O grupo tem algumas características que remetem aos Pixies, letras intimistas, muita distorção nas guitarras e vocal rouco (à la Courtney Love). 
A frontwoman é Alicia Bognanno, que trabalhava com Engenharia de Música e (pelo que entendi) é responsável pela montagem/mixagem/masterização das faixas do álbum de estreia.

Dilly Dally


A banda Dilly Dally tem base no Canadá e já começou a chamar atenção das mídias alternativas, como a revista Upset, por exemplo. Sua sonoridade é categorizada como Soft Grunge, já que, tal como os demais grupos dessa lista, é formada por guitarras sujas, vocais roucos e um ar meio downer. Tem traços que lembram Smashing Pumpkins e Hole.
Minha primeira reação ao timbre da vocalista, Katie Monks, foi de estranheza. Inicialmente achei a rouquidão forçada, mas agora confesso que tenho escutado a faixa Ballin Chain repetidamente. 
Assim como Bully, Dilly Dally acabou de lançar o álbum de estreia ("Sore") em 2015. 

Milkteeth

Das cinco bandas, é a que tem sonoridade mais agressiva e crua. Tem influências Punk e Grunge. Lançou alguns EP's com a presença constante dos gritos - pouco afinados - de Josh Bannister. Aliás, após assistir alguns vídeos mais antigos da Milkteeth, tive a impressão de que Bannister era o vocalista principal, mas foi progressivamente dando espaço à baixista  Becky Blomfield.
"Vile Child" é o único álbum de estúdio, lançado em janeiro de 2016, mesmo mês em que Josh Bannister deixou a banda. 
A estética dos vídeos faz clara referência aos anos 90 (às vezes de uma forma até meio clichê).

Darlia

Darlia talvez seja a banda menos "coerente" de todas as cinco. Isto porque, num mesmo álbum, é possível encontrar faixas que pendem para o alternativo (Queen of Hearts), para o pop punk (Dear Diary) e para o grunge (Blood Money). 
Os britânicos lançaram o primeiro álbum ("Petals") em 2015. As canções e videos são marcados pela presença de guitarras distorcidas (e sem muitos solos), batidas rápidas, a voz rouca de Nathan Day e uma estética que fica no meio do caminho entre Emo e Grunge. 

The Eeries

Estava relutante em indicar esta banda. Por um lado, as músicas são agradáveis de escutar e não enjoam fácil. Por outro, a personalidade do vocalista (Isaiah Silva), a sonoridade e mesmo o visual da banda são imitações claras do Nirvana e outras bandas dos anos 90. No fim das contas, o aspecto positivo acabou pesando mais e cá estamos.
The Eeries é uma banda americana de rock Alternativo. Lançou um EP (autointitulado) pela gravadora Interscope depois de ter a canção Cool Kids (lançada de forma independente) pedida na rádio por fãs do Gerard Way, que é amigo de Frances Bean Cobain (filha do Kurt Cobain), que é esposa do  Isaiah Silva. Assim como Darlia, a banda é uma mistura de rock alternativo (semelhante a Weezer, por exemplo) com Grunge. Tirando os "momentos-emulação", o grupo tem melodias e letras agradáveis.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

MONTAGE OF HECK - Opinião pessoal e minhas conclusões



Hoje assisti o documentário sobre a vida do Kurt Cobain, dirigido por Brett Morgen e produzido pela Frances Cobain. 
É bastante surpreendente que existam tantos registros audiovisuais de alguém. É como se o Kurt tivesse estrelado todo o curto filme da sua vida, mesmo nos momentos em que ele estava de saco cheio de ser o centro das atenções.
Me emocionei mais ao assistir as imagens da infância dele. Talvez tenha me sentido assim porque assisti tudo com a consciência de que aquela felicidade e receptividade não durariam muito tempo.
Um dos aspectos da vida dele que ficou bem claro foi a transição, de bebê super bajulado pela família inteira, para adolescente constantemente enxotado pelos mesmos familiares.
As histórias sobre a juventude do Cobain, assim como sua ambição e  aversão à humilhação, não foram recebidas com surpresa. Boa parte do que é relatado no documentário já era tratado no "Heavier than heaven" e nos "Journals", obras que já li.
Uma imagem que marcou foi a do Kurt segurando a Frances, que estava prestes a receber seu primeiro corte de cabelo. Durante o evento, Courtney diz ao marido que ele não deveria se comportar como um drogado na frente da filha, e ele contra-argumenta afirmando que está cansado. 
Mas a imagem que mais me marcou foi a da Courtney sentada na banheira, segurando a Frances no colo enquanto Kurt filmava as duas. Com ares de surpresa ela disse algo do tipo "I kind of feel happy right now!" (Eu meio que me sinto feliz agora!). É quase como se aquilo fosse incomum, ou como se ela quisesse informar ou convencer o Kurt disso. Mas isso, óbvio, é só a minha percepção do que aconteceu.
Falando em percepção, a minha impressão final foi a de que Kurt manteve, até o fim de sua vida, um pouco da infantilidade (Tracy e Courtney que o digam) e hiperatividade que o caracterizavam como criança. Ele me pareceu ser um supersensível e intenso jovem que trabalhou muito para conquistar algo, mas quando chegou lá, descobriu que era uma bosta e ficou preso entre jogar tudo no lixo ou continuar vivo na memória das pessoas. Lamentavelmente, foi através do suicídio que ele conciliou esses dois caminhos.