Recentemente assisti uma entrevista com o Dave Grohl na qual o entrevistador, um homem aparentemente instruído, cometeu a gafe de dizer que não há bandas dispostas a ocupar o espaço do Foo Fighters e afins. Digo que esta afirmação (que tenho escutado várias vezes durante os últimos anos) é uma gafe pelo seguinte motivo: existe uma quantidade ABSURDA de bandas boas ganhando espaço no underground americano. O simples fato de a mídia mainstream resistir em divulgar estes artistas não justifica negar a existência deles! Se você quer conhecer música nova, tente sair da previsibilidade dos charts e explore essa ferramenta útil chamada INTERNET.
O engraçado é que na mesma entrevista o Dave Grohl fala sobre como as bandas têm que suar, trabalhar, fazer muitos shows e ganhar espaço. Estamos em 2016 e claramente "trabalhar duro" por si só não é garantia de sucesso no ramo musical (embora otimize as chances). Se fosse, a primeira proposição contestada neste post sequer teria sido feita.
Enfim, em virtude das muitas vezes em que escutei choradeiras infundadas sobre a escassez de bandas de qualidade na atualidade, resolvi trazer alguns nomes novatos que me agradaram (total ou parcialmente).
Nesse primeiro post, vou falar sobre grupos com influência grunge, punk e demais gêneros que remetem aos anos 1990.
Bully
A banda Bully é formada por quatro músicos vegetarianos (uma informação totalmente relevante para esta postagem) de Nashville. Vem se destacando na cena local e já tocou no Conan e nos festivais Lollapalooza e Pitchfork Music. Lançou, em 23 de junho de 2015, o primeiro álbum de estúdio: Feels Like.
O grupo tem algumas características que remetem aos Pixies, letras intimistas, muita distorção nas guitarras e vocal rouco (à la Courtney Love).
A frontwoman é Alicia Bognanno, que trabalhava com Engenharia de Música e (pelo que entendi) é responsável pela montagem/mixagem/masterização das faixas do álbum de estreia.
Dilly Dally
A banda Dilly Dally tem base no Canadá e já começou a chamar atenção das mídias alternativas, como a revista Upset, por exemplo. Sua sonoridade é categorizada como Soft Grunge, já que, tal como os demais grupos dessa lista, é formada por guitarras sujas, vocais roucos e um ar meio downer. Tem traços que lembram Smashing Pumpkins e Hole.
Minha primeira reação ao timbre da vocalista, Katie Monks, foi de estranheza. Inicialmente achei a rouquidão forçada, mas agora confesso que tenho escutado a faixa Ballin Chain repetidamente.
Assim como Bully, Dilly Dally acabou de lançar o álbum de estreia ("Sore") em 2015.
Milkteeth
Das cinco bandas, é a que tem sonoridade mais agressiva e crua. Tem influências Punk e Grunge. Lançou alguns EP's com a presença constante dos gritos - pouco afinados - de Josh Bannister. Aliás, após assistir alguns vídeos mais antigos da Milkteeth, tive a impressão de que Bannister era o vocalista principal, mas foi progressivamente dando espaço à baixista Becky Blomfield.
"Vile Child" é o único álbum de estúdio, lançado em janeiro de 2016, mesmo mês em que Josh Bannister deixou a banda.
A estética dos vídeos faz clara referência aos anos 90 (às vezes de uma forma até meio clichê).
Darlia
Darlia talvez seja a banda menos "coerente" de todas as cinco. Isto porque, num mesmo álbum, é possível encontrar faixas que pendem para o alternativo (Queen of Hearts), para o pop punk (Dear Diary) e para o grunge (Blood Money).
Os britânicos lançaram o primeiro álbum ("Petals") em 2015. As canções e videos são marcados pela presença de guitarras distorcidas (e sem muitos solos), batidas rápidas, a voz rouca de Nathan Day e uma estética que fica no meio do caminho entre Emo e Grunge.
The Eeries
Estava relutante em indicar esta banda. Por um lado, as músicas são agradáveis de escutar e não enjoam fácil. Por outro, a personalidade do vocalista (Isaiah Silva), a sonoridade e mesmo o visual da banda são imitações claras do Nirvana e outras bandas dos anos 90. No fim das contas, o aspecto positivo acabou pesando mais e cá estamos.
The Eeries é uma banda americana de rock Alternativo. Lançou um EP (autointitulado) pela gravadora Interscope depois de ter a canção Cool Kids (lançada de forma independente) pedida na rádio por fãs do Gerard Way, que é amigo de Frances Bean Cobain (filha do Kurt Cobain), que é esposa do Isaiah Silva. Assim como Darlia, a banda é uma mistura de rock alternativo (semelhante a Weezer, por exemplo) com Grunge. Tirando os "momentos-emulação", o grupo tem melodias e letras agradáveis.
Tornar-se confiante é bom, mas seria interessante se as pessoas não aliassem esta confiança à inflexibilidade e excesso de orgulho. Me parece que quanto mais "gordo" o ego, mais facilmente as pessoas se sentem afrontadas e, por conseqüência, erguem suas vozes e entram em conflito.
Ao receber a notícia de que Jair Bolsonaro havia aprontado mais uma, me recusei a seguir em frente e investigar. A questão é: desde as primeiras demonstrações de ignorância que ele deu, não me sinto mais inclinada a lhe dar qualquer tipo de atenção. Eu o faria, se isso fosse mudar alguma coisa. Contudo, pessoas bitoladas normalmente o são porque se fecham para as opiniões alheias, e se recusam a sair da sua bolha de valores invariáveis e arcaicos. Pra que perder o seu tempo? Pra que dar ibope para um político que só quer impactar com o objetivo de atrair voto de uma parcela conservadora da sociedade?
Navegando pelas redes sociais, normalmente esbarro com postagens que fazem surgir aquela dúvida: será que a profundidade deste sujeito vai além da minha capacidade de compreensão, ou ele simplesmente está arrotando nonsenses pra parecer intelectual?
Outro clássico dos sites de relacionamento: pessoas levantando bandeira com base
em opiniões formadas apressadamente, só para causar algum impacto e dar a
falsa impressão de que têm "personalidade forte".
O mais triste de tudo é que não sei até que ponto eu tenho conseguido evitar o cometimento destas gafes.
Vou contratar a Xuxa pra catar as uvas passas do meu arroz à grega.
Não entre no Google Trends se você teme esbarrar em algum spoiler.
Há uma proliferação de lagartixas gordas se esgueirando pelas paredes e batucando contra as portas de madeira. O verão chegou.