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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

A POLARIZAÇÃO E O MEDO DE ESTAR ERRADO

Na era das mídias  sociais, o processo de formação de opiniões se torna cada vez mais pessoalizado, defensivo e irracional.

Compramos pacotes de opiniões conforme o 'lado' escolhido, ao invés de refletirmos sobre soluções viáveis para problemas concretos e individuais. Essa escolha raramente é feita com reflexão ou pesquisa. 

A seguir, postamos nossa opinião convicta e mal fundamentada em nossas redes. O perfil online, sendo um portfólio de nossa personalidade, cristaliza aquela conclusão irrefletida como parte de quem somos. A partir daí, qualquer questionamento feito a nossas perspectivas é tido como um ataque a quem somos. 

Frente a tal ofensiva, nos retraímos com nossos egos frágeis e doloridos, nos fechamos numa bolha de pessoas que partilham das mesmas conclusões que nós, e desumanizamos aqueles que estão nas outras bolhas. Perdemos a empatia. 

Se novos fatos surgirem, e provarem que nossas opiniões iniciais foram equivocadas, não tem problema! É só ignorar e criar uma realidade alternativa. Escolhemos assistir aos noticiários que dizem o que queremos ouvir. Os dados científicos, as estatísticas, os fatos cabalmente provados... Nada é suficiente, tudo é uma conspiração para fazer quem está na bolha passar pela pior humilhação a qual se pode ser submetido: estar errado.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

COMO VIVER NA ERA DIGITAL



Lições Extraídas do livro de Tom Chatfield
Esse texto mistura interpretações minhas, recortes de trechos do livro e algumas curiosidades soltas. Ele tem tópicos organizados de forma mais ou menos aleatória e casual.

• Nos anos 1970 surgem os microprocessador e chegam os primeiros computadores pessoais (Desktop) → Laptop → smartphones e tablets capazes de suprir  todas as nossas necessidades de mídia e de comunicação
• Hoje existem mais páginas na WEB do que estrelas na Via Lactea. O meio digital é mais livre e dinâmico, capaz de promover a difusão de informações. Mais de 2 bilhões de  pessoas têm acesso à internet, e mais de 4 bilhões estão conectadas umas às outras via telefone celular.
• As tecnologias afetam nosso comportamento e amplificam nossas qualidades e defeitos. Por outro lado, assim como pode amplificar, a tecnologia pode reduzir as pessoas a meras coisas. Exemplos de coisificação são o cyber-bullying e o stalking, que provam que é mais fácil desumanizar e destratar alguém que não está na nossa frente. Por isso precisamos reconhecer  que as experiências humanas que são criadas pela tecnologia são mais importantes que a própria tecnologia. Como diria Tim O’Reilly: “Nunca diga na internet aquilo que você não diria pessoalmente.” 
• A mudança comportamental mais importante de todas está relacionada ao que consideramos nosso “estado de consciência” padrão: o normal é estar conectado e, para nos desconectarmos, precisamos planejar tudo previamente. Desconectados somos mais espontâneos, não temos medo de repetir o que já foi dito, tampouco nos preocupamos com a reação de pessoas que estariam "nos assistindo".
• Todas as tecnologias do mundo não podem criar algo precioso: o tempo. Por isso tentamos aproveitar nosso tempo da melhor maneira possível, inclusiva recorrendo à dinâmicas multitarefas.  A verdade, contudo, é que não temos a capacidade de dividir nossa atenção de maneira eficaz. Em vez disso, nos deslocamos rapidamente de uma tarefa para outra, de modo que mão fazemos nada direito: é o que Linda Stone chama de “atenção parcial contínua” . Ademais, por ser tão precioso, o tempo merece ser experienciado, e isso requer que não estejamos frequentemente ignorando o que acontece ao nosso redor para prestar meia-atenção às telas de nossos dispositivos. 
• A comunicação por texto é tão querida por todos porque atende nossa necessidade de controle e nossas exigência (quanto aos outros e a nós mesmos) inatingíveis. Podemos editar o texto calmamente sem deixar transparecer nossas dúvidas, falta de conhecimento, hesitação, etc.
• Mantemos uma quantidade cada vez maior de memórias importantes dentro de máquinas. Quando confiamos demais na tecnologia e de menos em nossa mente, deixamos de consolidar nossas memórias.
•  O estado mental mais difícil de ser desenvolvido na era digital sejam os devaneios que geram os impulso criativo e à paz interior. Esses pensamentos surgem em momentos “vazios” de nossa vida, que não mais existe, pois estamos constantemente pipocando de um estímulo mental para o outro.
• Temos cada vez mais acesso a softwares e hardwares, e cada vez menos compreensão de como tudo funciona. Um processo do qual os fabricantes têm encorajado cada vez mais é o de vender dispositivos e serviços que funcionam assim que saem da caixa, com pouca margem para os usuários personalizarem sua própria experiência. Com isso, podemos esperar apenas poucas melhorias e muitos abusos. Como John Naughton escreveu: "ao utilizar serviços ‘gratuitos’, é preciso aceitar que você (ou, mais especificamente, a sua identidade) é o produto deles”.
• Inovações no processamento de conjuntos de dados cada vez maiores alteraram nossa percepção e ideias sobre valor cultural e intelectual. Há muito tempo toleramos – e até mesmo requisitamos – conselhos sobre o que devemos ou não devemos gostar. Porém, quando todos nos tornamos de publicar nossos conselhos, meras proclamações individuais de conhecimento  têm pouco crédito. Praticamente tudo está hoje sob os olhares do mundo inteiro e é peneirado pelo gosto do público. Isso gera o risco de o desaparecimento da noção de excelência, em meio a amadorismo e autopromoção. Ideias e trabalhos excepcionais deixam de gerar impacto público, porque são tratadas igualmente a ideias e trabalhos banais, e as vezes até acabam sendo preteridas por serem menos fácil de digerir.
• Não importa o quão bizarro, inusitado, específico ou ilegal seja o seu gosto, sempre existirão outros como você do outro lado plenamente preparados para te atender. No campo dos relacionamentos, entre a busca por algo significativo do  Match.com  e o sexo fácil do AdultFriendFinder, existe um campo neutro como o ChatRoulette:  uma roleta-russa social, conectando pessoas aleatoriamente em conversas ao vivo via webcam e microfone. Em média as conversas duram menos de um minuto (graças à existência do botão “próximo”) e estima-se que uma em cada oito interações pode ser considerada“obscena” #nãomandanudesnão. No entanto,  o serviço também tem sido usado para diversos fins:  espetáculos de música, estudos sociológicos, aparições de celebridades, etc.
• Em outubro de 2011, de acordo com as estatísticas da empresa de monitoramento de tráfego Alexa, sexo e pornografia eram  menos interessantes para o mundo do que a Amazon, a Wikipédia, o site IMDB etc.
• A humanidade gasta mais de três bilhões de horas por semana com jogos eletrônicos. Isto  tem impactos econômicos e sociais: no WoW, já foi pago R$1076078,77 por uma estação espacial virtual; Jogadores chineses são pagos para evoluir personagens alheios; estudos apontam que a cota de satisfação pessoal gerada ao jogar Second Life é quase igual àquela gerada pelo ato de encontrar um emprego. Tudo isso indica que uma pessoa pode se sentir inclinada buscar refúgio em uma vida virtual, negligenciando a real.  O YouTube, Twitter e Facebook se parecem bastante com um jogo: recompensam seus esforços com "likes", comentários e afins; e criam um fluxo envolvente de ações e reações.  
• Com a popularização dos dispositivos portáteis (smartphones e tablets) os jogos eletrônicos estão rapidamente se tornando um passatempo universal, e não só de quem tem video-games. Eles remediam o tédio; exigem habilidade e premiam o esforço. São formas seguras por meio das quais aprendemos habilidades específicas, pois ao jogá-los sabemos que estamos num universo limitado, em que o esforço e a competência automaticamente levam ao sucesso. É o oposto da vida real, em que as possibilidades são assustadoramente variadas, e não há certeza quanto ás consequências de nossos esforços.
•A confiança declarada nos políticos está próxima dos níveis mais baixos de todos os tempos, enquanto  jornais impressos e canais de televisão estão apenas um pouco melhor que isso no que tange ao gosto e ao interesse públicos.  Para os cidadãos do século XXI, capazes de participar de grupos de muitos milhares e até mesmo milhões de pessoas, a relevância política tanto da ação quanto da inércia também cresce em ritmo constante. Em alguns países, a tecnologia possibilita a transição do poder, das mão das minorias poderosas para a mão de todos. Já em outros lugares, como a China,  o grande número de usuários não impede a prática de censura e monitoramento populacional.
• A história tradicional da mídia é uma caminhada a partir da abertura em direção ao monopólio. A natureza peculiar da internet torna a centralização muito mais difícil, mas não impossível.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

COMO O TINDER FUNCIONA / HOW TINDER WORKS

Para aqueles que ainda não entenderam como funciona o Tinder, eu fiz um desenho explicativo. / For those who still don't understand how tinder works, I made an explanatory drawing.

domingo, 9 de agosto de 2015

O ÓDIO À POLÍCIA

Toda vez que abro alguma rede social me deparo com meia dúzia de "revolucionários" apoiando alguma causa que eles mal se deram o trabalho de analisar direito. Convenientemente esta causa quase sempre é a que todos os outros estão apoiando, porque na era da rede social, alienação vem a dar com pau.
Hoje, o que vi foi mais uma daquelas postagens generalizadas atribuindo corrupção à polícia como um todo, e tratando o criminoso como vítima da sociedade. Não me entenda errado: estudei criminologia com atenção suficiente para concluir que o nosso sistema penal é autofágico. Em outras palavras, o Estado se alimenta da merda que ele cria. Isto, todavia, não significa que a merda seja uma ilusão. Temos sim que investir na educação, ações afirmativas, sistema carcerário capaz de reinserção social, e numa cultura que não veja o criminoso como "o outro irrecuperável". No entanto, não podemos negar que, enquanto a coisa não melhora, já existe e vai continuar existindo homicídio, tráfico (de drogas, órgãos e até pessoas), estupro, roubo e por aí vai. Descobrir que o criminoso foi criado pelas circunstâncias não desfaz o mal que ele está fazendo aos indivíduos que o cercam.
Agora que cheguei onde eu queria chegaram, eis meu desabafo. Porque, saibam vocês ou não, o mal que é feito muitas vezes recai sobre os policiais. Quando isto acontece, ninguém se rebela: trata-se apenas de uma fatalidade envolvendo o policial, que estava fazendo o seu trabalho. De outro lado, contudo, se algo ocorre com um criminoso, os pseudo-politizados já começam a se debater. De repente a polícia (em abstrato, porque quase nunca as pessoas têm a sensibilidade de ao menos considerar que em todos os ramos temos competência e corrupção coexistindo) é um órgão alienado, que desrespeita os direitos humanos e que deveria ter agido com mais cautela. 
O que as pessoas falham em considerar é que o policial, que normalmente está lá cumprindo ordens, é um ser humano com medos, uma vida para preservar e família esperando em casa. Se algo acontecer a ele, não é só uma farda que está caindo por terra: É UMA PESSOA. E sim, as chances de algo acontecer aos policiais é bem grande, porque os ataques a estes profissionais (muito embora isto não seja noticiado devidamente) têm crescido drasticamente. Enquanto isso, a sociedade apedreja e solicita que as mãos dos policiais sejam ainda mais atadas que já estão.
Com este discurso não pretendo fazer vista grossa aos policiais que abusam da força e do poder, abrem fogo sem ter prova e se deixam corromper. Como eu já disse antes, existem bons e maus profissionais em todas as áreas.
Também não vou deixar passar em branco o fato de o criminoso, assim como o policial, ser ALGUÉM com direito a vida, família e novas chances.
Mas então o que fazer diante deste embate? APRENDER A CRITICAR E ATACAR O PROBLEMA CERTO. De nada adianta o povo se rebelar se não sabe ter foco e enxergar o que interessa!
A polícia segue ordens vindas de cima. Alguém com dinheiro e poder está sentado em sua confortável poltrona determinando que subordinados coloquem suas vidas em risco, bem como se sujeitem a receber represálias da sociedade maniqueísta (o policial é o mauzinho e o criminoso é o coitadinho, ou vice-versa). Este indivíduo que dá as ordens ao policial, por sua vez, atua dentro de um sistema que já é todo fodido, pois estruturado por pessoas que representam interesses fragmentados (vide a divisão do legislativo em bancadas, que se ocupam de ninharias e nunca atacam os problemas reais). Quem dá a ordem normalmente não é visto, atua por trás dos panos, e por isso não é repreendido pelo povo ou pela mídia. 
Sobra então para quem?  Para os policiais, que ganham mal, obedecem ordens, e são responsabilizados por um problema que é infinitamente mais profundo, e que nunca vai ser plenamente enxergado pelos cidadãos brasileiros: criaturas tapadas que só conseguem ver a ferida, mas nunca enxergam a causa dela

domingo, 19 de julho de 2015

TUDO AO MESMO TEMPO E NADA A DECLARAR

     Por quantas vezes a ideia de fazer algo lhe animou mais que a própria feitura da coisa? Quantos livros acumulamos na nossa lista de "vou ler" do skoob? E quantos capítulos lemos antes de colocar estes livros na lista de "abandonados"? 
     Somos - vou me incluir bem incluída nesta crítica - a geração das listas. Gostamos de acumular títulos, categorizar coisas (e pessoas) e ter um objetivo abstrato que permanecerá abstrato para sempre. Não nos aprofundamos em nada. Trocamos os livros por artigos, os artigos por textões, os textões (como este) por parágrafos de reflexão, e os parágrafos de reflexão por tweets
     No celular, jogamos as telas de um lado para outro, mas raramente lemos os seus conteúdos. As séries que assistimos são de curta duração, ou são séries longas com vários enfoques curtos em núcleos/personagens diferentes. Os filmes que mais gostamos são aqueles que se desenvolvem rapidamente (daí o sucesso dos remakes, que não precisam se demorar muito na introdução, uma vez que todo mundo já sabe o que aconteceu). 
     Até os youtubers têm compactado os seus vídeos, num esforço de adaptação para cybersobrevivência. São poucos os que ousam cruzar a marca dos cinco minutos, e menos ainda os que passam do 7º. A forma de se expressar tem que ser objetiva e as informações muitas vezes são cuspidas rapidamente, em especial quando o conteúdo do vídeo é informativo (AsapSCIENCE, CrashCourse etc.). 
     Mas o pior de tudo é que este problema também pode ser verificado nas relações humanas. Nos relacionamos por conveniência: nos aproximamos porque a pessoa está ali, e enquanto ela está ali. Ninguém precisa mover uma palha, pois acha que ter a pessoa no whatsapp vai fazer com que o contato surja sozinho, miraculosamente. Ademais, pra  que perder tempo com alguém quando temos o Tinder fervilhando com novos rostinhos encimando uma frase de efeito manjada? 
     Queremos tudo e não experienciamos nada. Tenho a impressão de que temos um milhão de coisas para serem lembradas, mas não recordamos de qualquer uma porque todas foram emocionalmente irrelevantes. Essa irrelevância emocional, por sua vez, decorre da nossa falta de comprometimento. Tá faltando paciência pra explorar, persistência pra suportar os lados desagradáveis das coisas/pessoas, e humildade pra entender que o universo não tem o dever de nos entregar tudo o que é perfeito (até porque não existe tal coisa no universo, caso você não tenha notado). 

domingo, 25 de janeiro de 2015

NÃO SOU OBRIGADO





Eu já escutei, algumas vezes, pessoas dizendo que a minha geração se envolve muito facilmente. Eu discordo.
Você pode dizer: "Ah, mas a geração nascida nos anos 80 passou a adolescência 'ficando'. Hoje todo mundo já larga namorando sério."
De fato, hoje as pessoas assumem namoro facilmente. O problema é que elas abrem mão com a mesma facilidade com que assumem.  Se na geração anterior havia uma delimitação clara entre 'ficar' e namorar, hoje as duas coisas se confundem em uma/nenhuma.
Já cansei de ver fulaninho trocar status de relacionamento depois de dar dois beijos na sicraninha. Então começam as dedicatórias no facebook, fotos no instagram e tweets apaixonados. O problema é que a minha geração quer um troféu pra mostrar na rede social, e não um ser humano de carne e osso: querem alguém que "agregue valor" ao seu ego. 
Como sabemos, contudo, não existem pessoas perfeitas. Assim, depois das apaixonadas primeiras semanas de namoro, começam a aparecer os defeitinhos. Uma pessoa realmente comprometida teria a coragem de lidar com os problemas e fortalecer o relacionamento. Hoje, porém, ao primeiro sinal de defeito do parceiro, o sujeito já começa fazer o download do Tinder no seu  smartphone. 
O raciocínio é o seguinte: eu posso contatar 1001 pessoas pelo facebook, twitter, tinder, whatsapp + eu tenho milhares de possibilidades, mas mesmo assim eu abri mão delas pra investir meu precioso tempo em você = faça o favor de não pisar na bola, pois eu não sou obrigado a lidar com as suas imperfeições, e não vou hesitar em seguir em frente num piscar de olhos caso você não continue sendo este príncipe/princesa utópico(a) sobre o qual escrevi no meu facebook, quando fui legendar a nossa foto.
Soma-se a isto a seguinte lógica: eu obviamente sou um poço de relevância, afinal TODOS os meus seguidores/amigos/contatos estão prestando plena atenção em tudo que eu escrevo, digo, canto, etc. Por isso, é muito importante que você não fira o meu ego do tamanho de um Zeppelin e não me obrigue a fazer papel de trouxa na frente de todos os meus súditos admiradores.
Em suma: nos perdemos entre as nossas possibilidades (aquelas que nunca vamos explorar, afinal estamos muito ocupados colecionando ainda mais possibilidades). Somos covardes, pois tememos "fazer papel de trouxa" a ponto de começar relacionamentos já imaginando como eles vão acabar. Vivemos pelas aparências, e não pelas experiências. Nos entregamos fisicamente a todos, mas não estabelecemos conexões emocionais com ninguém. Nunca dispomos de tantos meios para acabar com a solidão, mas ao mesmo tempo, nunca estivemos tão sozinhos. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

UM MONTE DE COISAS MISTURADAS



(por Philip Jackson)


Tornar-se confiante é bom, mas seria interessante se as pessoas não aliassem esta confiança à inflexibilidade e excesso de orgulho. Me parece que quanto mais "gordo" o ego, mais facilmente as pessoas se sentem afrontadas e, por conseqüência, erguem suas vozes e entram em conflito. 

Ao receber a notícia de que Jair Bolsonaro havia aprontado mais uma, me recusei a seguir em frente e investigar. A questão é: desde as primeiras demonstrações de ignorância que ele deu, não me sinto mais inclinada a lhe dar qualquer tipo de atenção. Eu o faria, se isso fosse mudar alguma coisa. Contudo, pessoas bitoladas normalmente o são porque se fecham para as opiniões alheias, e se recusam a sair da sua bolha de valores invariáveis e arcaicos. Pra que perder o seu tempo? Pra que dar ibope para um político que só quer impactar com o objetivo de atrair voto de uma parcela conservadora da sociedade?

Navegando pelas redes sociais, normalmente esbarro com postagens que fazem surgir aquela dúvida: será que a profundidade deste sujeito vai além da minha capacidade de compreensão, ou ele simplesmente está arrotando nonsenses pra parecer intelectual?

Outro clássico dos sites de relacionamento: pessoas levantando bandeira com base em opiniões formadas apressadamente, só para causar algum impacto e dar a falsa impressão de que têm "personalidade forte".

O mais triste de tudo é que não sei até que ponto eu tenho conseguido evitar o cometimento destas gafes.

Vou contratar a Xuxa pra catar as uvas passas do meu arroz à grega.

Não entre no Google Trends se você teme esbarrar em algum spoiler.

Há uma proliferação de lagartixas gordas se esgueirando pelas paredes e batucando contra as portas de madeira. O verão chegou.