De acordo com a wikipédia, pensamentos são "reações representativas causadas por estímulos de reações químicas internas ou fatores ambientais externos". Ok, mas que meio devemos utilizar para transformar essas abstratas reações representativas em algo definido e compreensível? A linguagem (corporal, verbal, simbólica, escrita, e até a vozinha que fica narrando os acontecimentos dentro da nossa cabeça), claro! Mas será que a linguagem é realmente uma ferramenta efetiva? Quantas reações representativas foram ignoradas simplesmente porque não puderam ser traduzidas em palavras? Quantas vezes modelamos as nossas reações representativas para que elas coubessem numa explicação verbal? E quantas vezes essas reações representativas, já previamente modeladas ao serem cuspidas para o mundo exterior, foram remodeladas quando escutadas e (talvez equivocadamente) interpretadas pelo receptor da cuspidela? E será que verbalizar precariamente estas reações representativas não é mentir para nós mesmos quanto à amplitude delas? Será que a linguagem não é uma ferramenta fadada a tornar as coisas simplistas? É como se estivéssemos destinados a permanecer enclausurados em nossas próprias cabeças! A nossa lógica de pensamentos está intimamente ligada/limitada pelo idioma que falamos. Tudo bem que, segundo o compêndio Ethnologue, existem 6.912 idiomas em todo o mundo (além da possibilidade de centenas de outros idiomas não catalogados) e que cada um deles tem milhares de palavras que, por vezes, sequer podem ser traduzidas para outros idiomas. Contudo, a maioria gritante das pessoas só sabe falar uma ou duas línguas. Por isso, quando for abrir a boca para comentar as esquisitices de outro povo, ou quando for se gabar de sua notável inteligência, lembre-se: você e eu somos só criaturinhas medíocres encalhadas no(s) próprio(s) idioma(s).
domingo, 3 de maio de 2015
ENCALHEI NO MEU IDIOMA - #Paragrafão
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quarta-feira, 15 de abril de 2015
Minha Playlist #07
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Zé Ramalho
quarta-feira, 8 de abril de 2015
terça-feira, 31 de março de 2015
19 COISAS QUE ACONTECERAM EM MARÇO (2015)
O mês de março acaba de acabar e eu vos trago aqui, em meu humilde blog (que ninguém lê), alguns dos acontecimentos mais comentados:
◊ Teve a superlua, que aconteceu no mesmo dia do equinócio, que aconteceu no mesmo dia do eclipse solar. Eu não vi nenhum deles porque estava no quarto mexendo no computador.
◊ Os evangélicos tentaram boicotar a novela 'Babilônia'. Não foi pelo fato de a protagonista ser uma psicopata, tampouco por causa das mortes e traições. O motivo - prepare-se para a surpresa - foi o selinho senil protagonizado por Fernanda Montenegro e Natalia (Tinder) Timberg. Aos evangélicos desejo boa sorte na tentativa de boicotar uma atriz que concorreu ao oscar ao lado da Meryl Streep,da Cate Blanchett e etc.
◊ O aplicativo Kiwi (que é igual ao ask e ao formspring.me) viralizou na internet. Parte dos envolvidos participava do Kiwi; parte reclamava dos convites enviados pelo facebook; e a terceira parte só ficou sabendo da existência do Kiwi por causa das queixas feitas pela segunda parte (?).
◊ O novo Código de Processo Civil foi publicado no diário oficial. Se você já estudou o antigo código e pagou por todas as disciplinas de Processo Civil na faculdade, pare de chorar e fingir que você tinha compreendido o antigo Código.
◊ Natalia Kills virou meme e foi demitida do X-factor neozelandês após humilhar um cara por usar o look 'terno + cabelo emplastado de laquê'. Aparentemente o marido de Natalia (que só ficou famosa por causa de sua escrotice) já tinha patenteado este visual super inusitado. Eu, sinceramente, não fiquei nem um pouco surpresa com o ocorrido, já que X-factor é recordista em usar humilhação alheia para ganhar audiência.
◊ Teve manifestação que serviu pra demonstrar a insatisfação do povo com a corrupção, mas deixou a desejar no quesito "escolher problemas pontuais". Até porque, para que você saiba escolher o que reivindicar, você precisa compreender o real problema. Para compreender o real problema você precisa enxergar além do óbvio. Para enxergar além do óbvio você precisa se informar. Para se informar você precisa não ser um alienado preguiçoso que paga de esquerdista, mas não lembra nem no legislador em quem votou na última eleição.
◊ O dólar foi lá em cima e você, que planejava fazer um cruzeiro pros States e voltar com muamba, tomou no asshole.
◊ A Suzane Von Richthofen se pronunciou, mas não sei sobre que diabos ela falou, posto que me recuso a dar atenção para psicopatas egocêntricos (apesar disso, gostaria de dizer que eu shippava #suzandra).
◊ Houve a citação de uma caralhada de réus no processo relativo à operação lava jato. Provavelmente vão acabar como os condenados do mensalão, que não têm competência sequer para cumprir uma pena, afinal todos eles são julgados pelos ministros do STF, que chegam aos seus postos por meio de nomeação política e, obviamente, gostam de retribuir os favores every now and then.
◊ A Wanessa Camargo fez uma fiasqueira na televisão e colocou a culpa nos funcionários da emissora. Obviamente ninguém está preocupado em encontrar o culpado, pois o que importa é a zoeira.
◊ Teve torcida mista no Grenal e a mídia fazendo um auê sobre isso. Me causa estranheza pensar que convivência pacífica entre torcidas é algo que deve ser noticiado tratado como extraordinário.
◊ A Ronda Rousey trucidou sua adversária dentro de 14 segundos, porque ela tava cheia de episódios de House of Cards pra assistir.
◊ Aconteceu o Lollapalooza, durante o qual várias bandas-tendência se apresentaram. Eu particularmente estou mais empolgada com o line up do Rock in Rio. Deixo o lolla para os Hipsters.
◊ Falando em Lollapalooza, teve o vácuo dado por Marina and Diamonds em seus fãs. De acordo com alguns veículos midiáticos, a vocalista teria (batido um papo com a mãe da Taylor Swift) enfiado o pé na jaca na noite anterior, fato que inviabilizou sua apresentação.
◊ Falando em cantores que dão para trás, recentemente o cantor Zayn (também famoso por seu vínculo de parentesco com Ally Brooke e Nicole Scherzinger) anunciou sua saída do grupo One Direction que, por sua vez, é mais uma banda que desconheço totalmente #defasagem. O anúncio fez com que pré-adolescentes desesperadas apelassem à auto-mutilação e postassem as fotos online. É isso que acontece quando você cede ao choro dos seus filhos mimados.
◊ Ainda na linha "pulou fora", a banda Restart anunciou pausa na carreira, surpreendendo a todos que não sabiam que a banda ainda existia.
◊ Com medo de ter câncer, Angelina Jolie voltou para a faca. Vários mimimis vieram em resposta, mas o fato é que o corpo é dela e o medo também (vale lembrar que a atriz já perdeu a mãe para a mesma doença).
◊ Um psicologicamente instável co-piloto de avião resolveu, após perceber que tinha uma vida de merda, afundar um avião que transportava centenas de pessoas. 'Mas e a vida das outras pessoas?' você se pergunta. Pois é. Na mente de gente egocêntrica não há lugar para empatia.
◊ Foi lançado o jogo Bloodborne. O game tem bons gráficos, cenários deslumbrantes e insanamente detalhados (minha parte favorita), e boa jogabilidade. A história não é tão marcante, o que pode frustrar os gamers que preferem uma story line forte à carnificina em série.
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
MEÇA SUAS PRIORIDADES, PARÇA
O carnaval acabou semana passada, mas o mimimi sobrevive. Não é de
surpreender, afinal todo fenômeno, evento ou tópico popular sempre acaba tendo o poder de provocar o surgimento de opiniões bem fortes.
As reclamações giram em
torno de variados aspectos, dos mais subjetivos (música, roupas, etc.)
aos mais objetivos (poluição, fazer a rua de urinol, assediar, exagerar no
trago, dentre outras atitudes inconsequentes). As críticas mais relevantes
normalmente recaem sobre condutas pontuais. São coisas que existem em todos os
cantos, mas que você só viu no carnaval, que é quando você sai da sua bolha.
A
minha reação diante de tanta lamentação normalmente é bem pessimista. Isso
porque eu dificilmente acredito que o autor da crítica esteja reclamando de um problema por
estar genuinamente preocupado em resolvê-lo. Tenho pra mim que
essas reclamações todas servem mais pra promover quem reclama do que
para efetivamente discutir soluções para problemas.
O nosso cérebro vive
procurando maneiras de categorizar as pessoas, e o gosto por carnaval (assim como gosto
musical, forma de se vestir, gosto por determinados programas de televisão ou
literatura, etc.) é só mais uma delas. Trata-se mais de um artifício para
auto-promoção, porque a partir do momento em que tu questiona o passa-tempo de
milhares de pessoas e sugere que elas são menos civilizadas por participarem
daquela atividade, tu de certa forma está se colocando num pedestal.
Mas
o problema maior sequer reside na atitude em si. O perigo está nas coisas que deixamos "de lado" para ficar batendo boca sobre isso.
Quantas
vezes você já não leu alguém falando que BBB aliena? Aliás, o assunto está em vias de se tornar tabu na comunidade das pessoas intelectuais e muito profundas. Como sabemos muito bem, tudo que é tido como tabu/polêmica vira tópico frequente na língua do povo. Então lá
vamos nós discutir se BBB aliena ou não. Enquanto nos envolvemos com este debate,
independentemente de sermos contra ou a favor, outros assuntos deixam de ser
discutidos. Então cria-se uma contradição: ao mesmo tempo em que você acha que está
alertando as pessoas sobre a alienação causada por um reality show, você está
fomentando uma discussão que vai roubar a atenção de outros debates e assuntos. Para que falar sobre operação lava jato quando podemos criar textos imensos sobre
um programa que está no ar há 15 anos e provavelmente vai continuar sendo
transmitindo, quer você goste ou não?
Recentemente eu liguei a televisão no jornal local e assisti a cobertura de um
protesto. O evento consistia basicamente num grupo de religiosos se voltando
contra a exibição do filme “50 tons de cinza” no cinema da cidade. Ora, essas
pessoas podiam se preocupar com a saúde, com a educação, com o fato de os
parlamentares e magistrados recentemente terem votado o aumento de seus salários, e com as
medidas controversas de governo tomadas pelo Governador (Sartori). Ao invés
disso, estava o grupo a impor seu gosto sobre um grupo restrito de
espectadores, ao invés de lutar por interesses universais.
O
objetivo desse texto não é defender determinadas formas de entretenimento ou
atacar um governo ou outro. O que eu quero dizer é que há uma série de questões
social e politicamente relevantes sendo negligenciadas, porque as pessoas estão
ocupadas demais levantando bandeira para defender marcas, artistas, livros,
programas... Enfim, coisas e pessoas que se prestam a entreter ou servir, e que
podem muito bem ser simplesmente ignoradas caso sejam julgadas desagradáveis. Nós
somos passivos com o que importa, e agressivos com questões de gosto pessoal.
Julgamos as pessoas por gostarem de um gênero musical, e não por suas atitudes
e qualidades reais. Enfim: desaprendemos
a escolher nossas lutas.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
GRAMMY AWARDS
Ontem (08/02) aconteceu a Cerimônia do Grammy. Ela foi transmitida pela TNT, que contratou
uma narradora eufórica pra fazer a tradução. A moça estava ali prestes a vir a óbito, mais desconfortável que a Sia cantando em público.
Pra quem não sabe, a Sia é aquela loira
platinada que tem medo de chamar atenção. Com o objetivo de amenizar seu problema, ela adota métodos alternativos, tais como matar uma ovelha e usá-la como chapéu... Porque obviamente isso vai ajudar ela
a passar em branco na premiação.
Também fomos agraciados com a presença de Nicki Minaj. Embora seu visual tenha despertado a curiosidade dos comentaristas de plantão, há de se convir que ela estava bem normal (se considerarmos seus padrões). Vai
ver foi isso que causou tanta estranheza. Isso e o fato de ela parecer a "coroa" da moeda de um real.
Outro destaque do tapete vermelho foi a Rihanna que, desejando atrair todo mundo para perto de si, resolveu usar um vestido dotado de campo
gravitacional próprio. Enquanto isso, sua amante fazia cosplay de Leonardo
DiCaprio e perdia o Grammy pela sabe-se-lá-qual vez. Miley foi consolar Katy acariciando seu seio, porque Miley socializa de maneiras curiosas e misteriosas (não tente entender).
Quem não curtiu isso foi o John MazzzzZZZzzz.
Por fim, o Grammy foi marcado por twitteiros,
que, estupefatos, comentaram a porra toda tudo. Como se as roupas e cabelos
bizarros, as parcerias “inusitadas” e as escolhas contraditórias dos críticos
fossem novidade. Convenhamos, meus caros: isso acontece todo ano. Só mudam as
figurinhas (às vezes).
Aliás, os críticos fazendo escolhas inesperadas é a
coisa mais esperada do ano, não só no Grammy como em todas as premiações de
grande prestígio. Não deixa de ser uma maneira nada sutil de dizer “Calem boca, bilhões
de pessoas. Eu sei o que é bom e vocês não”.
Prefiro me abster de comentários acerca dos vencedores,
com exceção do Pharell, que foi premiado pela música ‘Happy’. Na cyberland
estavam todos emputecidos porque ninguém mais aguenta ouvir a bendita (música). A
verdade, no entanto, é que estamos na era do entretenimento relâmpago. Nós recebemos uma enxurrada de músicas novas a todo instante. Isso faz com que percamos o interesse mais depressa, não só pelas músicas, mas pelos meios de entretenimento em geral. Claro que
também tem o fato de que os artistas pop, pra sobreviver a esse cenário de
mudanças frenéticas, ficam se reinventando. Resultado: todo mundo enjoativo e sem
identidade, com exceção dos "dinossauros", aqueles artistas que já eram respeitados antes
de a nossa tolerância para repetições ser drasticamente encolhida.
domingo, 25 de janeiro de 2015
NÃO SOU OBRIGADO
Eu já escutei, algumas vezes, pessoas dizendo que a minha geração se envolve muito facilmente. Eu discordo.
Você pode dizer: "Ah, mas a geração nascida nos anos 80 passou a adolescência 'ficando'. Hoje todo mundo já larga namorando sério."
De fato, hoje as pessoas assumem namoro facilmente. O problema é que elas abrem mão com a mesma facilidade com que assumem. Se na geração anterior havia uma delimitação clara entre 'ficar' e namorar, hoje as duas coisas se confundem em uma/nenhuma.
Já cansei de ver fulaninho trocar status de relacionamento depois de dar dois beijos na sicraninha. Então começam as dedicatórias no facebook, fotos no instagram e tweets apaixonados. O problema é que a minha geração quer um troféu pra mostrar na rede social, e não um ser humano de carne e osso: querem alguém que "agregue valor" ao seu ego.
Como sabemos, contudo, não existem pessoas perfeitas. Assim, depois das apaixonadas primeiras semanas de namoro, começam a aparecer os defeitinhos. Uma pessoa realmente comprometida teria a coragem de lidar com os problemas e fortalecer o relacionamento. Hoje, porém, ao primeiro sinal de defeito do parceiro, o sujeito já começa fazer o download do Tinder no seu smartphone.
O raciocínio é o seguinte: eu posso contatar 1001 pessoas pelo facebook, twitter, tinder, whatsapp + eu tenho milhares de possibilidades, mas mesmo assim eu abri mão delas pra investir meu precioso tempo em você = faça o favor de não pisar na bola, pois eu não sou obrigado a lidar com as suas imperfeições, e não vou hesitar em seguir em frente num piscar de olhos caso você não continue sendo este príncipe/princesa utópico(a) sobre o qual escrevi no meu facebook, quando fui legendar a nossa foto.
Soma-se a isto a seguinte lógica: eu obviamente sou um poço de relevância, afinal TODOS os meus seguidores/amigos/contatos estão prestando plena atenção em tudo que eu escrevo, digo, canto, etc. Por isso, é muito importante que você não fira o meu ego do tamanho de um Zeppelin e não me obrigue a fazer papel de trouxa na frente de todos os meus súditos admiradores.
Em suma: nos perdemos entre as nossas possibilidades (aquelas que nunca vamos explorar, afinal estamos muito ocupados colecionando ainda mais possibilidades). Somos covardes, pois tememos "fazer papel de trouxa" a ponto de começar relacionamentos já imaginando como eles vão acabar. Vivemos pelas aparências, e não pelas experiências. Nos entregamos fisicamente a todos, mas não estabelecemos conexões emocionais com ninguém. Nunca dispomos de tantos meios para acabar com a solidão, mas ao mesmo tempo, nunca estivemos tão sozinhos.
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